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Despejo determinado em arbitragem – O impacto da decisão do STJ (Resp 1.481.644) quanto aos julgados posteriores: uma proposta da manutenção da competência arbitral

Introdução

A arbitragem é um meio alternativo de resolução de conflitos que ganhou relevância no direito brasileiro. Com sua aplicação em vários campos do direito, o despejo não é uma exceção. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão importante (Resp 1.481.644) que afetou o campo do despejo em particular e a arbitragem em geral. Este artigo examinará a decisão e seus impactos.

A principal questão tratada na decisão foi se a arbitragem era competente para decidir sobre despejo. Esta questão é de importância prática e teórica. Praticamente, porque muitos contratos de locação contêm cláusulas de arbitragem. Teoricamente, porque toca em questões fundamentais de autonomia privada e jurisdição.

O STJ decidiu que a arbitragem não era competente para decidir sobre despejo. Esta decisão tem implicações significativas para inquilinos e proprietários, assim como para árbitros e advogados. O artigo analisará mais detalhadamente essas implicações.

Contexto Jurídico

Antes da decisão do STJ, havia uma certa incerteza sobre se a arbitragem poderia ser usada para resolver disputas de despejo. Alguns argumentaram que a arbitragem era competente porque o despejo é uma questão patrimonial disponível. Outros argumentaram que a arbitragem não era competente porque o despejo é uma questão de direito público que deve ser decidida pelos tribunais estatais.

Esta incerteza foi resolvida pela decisão do STJ. O tribunal decidiu que a arbitragem não é competente para decidir sobre despejo. Esta decisão foi baseada em uma interpretação do Código de Processo Civil e da Lei de Arbitragem.

A decisão do STJ foi recebida com surpresa por muitos na comunidade jurídica. Alguns saudaram a decisão como um passo importante para a clarificação do papel da arbitragem. Outros criticaram a decisão por limitar a autonomia privada e a eficiência da resolução de disputas.

O Que Diz a Decisão/Lei

A decisão do STJ (Resp 1.481.644) afirmou que a arbitragem não é competente para decidir sobre despejo. O tribunal baseou sua decisão no fato de que o despejo é uma ação de execução que deve ser decidida pelos tribunais estatais. Esta interpretação foi baseada no Código de Processo Civil e na Lei de Arbitragem.

A decisão também afirmou que a arbitragem só pode decidir sobre direitos patrimoniais disponíveis. Os direitos patrimoniais disponíveis são aqueles direitos sobre os quais as partes podem livremente decidir. O tribunal decidiu que o despejo não é um direito patrimonial disponível porque envolve uma ação de execução.

Finalmente, a decisão afirmou que a cláusula de arbitragem em um contrato de aluguel não é suficiente para conferir competência à arbitragem para decidir sobre despejo. A cláusula de arbitragem só pode conferir competência para decidir sobre direitos patrimoniais disponíveis.

Impactos Práticos para o Cidadão

A decisão do STJ tem vários impactos práticos para os cidadãos. Primeiro, ela clarifica que a arbitragem não é um meio válido para resolver disputas de despejo. Isto significa que as partes em uma disputa de despejo devem recorrer aos tribunais estatais, mesmo que tenham acordado em resolver suas disputas através da arbitragem.

Segundo, a decisão limita a autonomia privada. As partes não podem mais acordar em resolver suas disputas de despejo através da arbitragem. Isto pode ser visto como uma limitação à liberdade contratual.

Terceiro, a decisão pode ter o efeito de tornar a resolução de disputas de despejo mais demorada e cara. A arbitragem é muitas vezes vista como uma maneira mais rápida e barata de resolver disputas do que recorrer aos tribunais estatais.

Como um Advogado Especializado Pode Ajudar

Um advogado especializado em direito imobiliário e arbitragem pode ajudar de várias maneiras. Primeiro, ele pode aconselhar as partes sobre como resolver suas disputas de despejo. Isto pode incluir o aconselhamento sobre se recorrer aos tribunais estatais ou tentar outros meios de resolução de disputas.

Segundo, um advogado especializado pode representar as partes em uma disputa de despejo. Isto pode incluir a representação das partes perante o tribunal estatal ou um tribunal arbitral. O advogado pode também ajudar a negociar um acordo entre as partes.

Conclusão

Em conclusão, a decisão do STJ sobre a competência da arbitragem para decidir sobre despejo tem implicações significativas. Ela clarifica a lei, limita a autonomia privada e pode tornar a resolução de disputas de despejo mais demorada e cara.

Apesar destes desafios, a decisão também apresenta oportunidades. Ela destaca a importância de obter aconselhamento jurídico especializado quando se trata de disputas de despejo. Também sublinha a necessidade de explorar outros meios de resolução de disputas além da arbitragem.


Fonte: https://www.migalhas.com.br/coluna/observatorio-da-arbitragem/385475/despejo-determinado-em-arbitragem

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